AVANT-GARDE

    Na entrada, um cartaz anunciava: ‘Se quer encontrar Deus, entre.’ Obedeci, e logo a porta se fechou atrás de mim. Fiquei parado por alguns momentos, tentando habituar os olhos à semi-obscuridade envolvente. 

    Olhei para a minha direita e vi a palavra ‘Deus’ escrita na parede, acompanhada de uma seta que indicava o corredor que tinha à minha frente, o qual tomei quase de imediato. Aqui e ali, novas indicações iam surgindo através de novas setas, sempre com a palavra ‘Deus’ escrita em caracteres de imprensa. Ora indicavam a esquerda, ora a direita, conduzindo-me por vezes a becos sem saída, de modo que me sentia como se estivesse a percorrer um labirinto interminável. 

    Por fim, fui dar a um corredor bastante comprido que parecia ter pelo menos trinta metros. A palavra ‘Deus’ aparecia numa das paredes, e no fundo do longo corredor vislumbrei uma pequena luz. Avancei, um pouco hesitante a princípio. O túnel, que do ponto onde estava se me apresentava afunilado, foi encurtando cada vez mais. Fui-me aproximando da luz, que ia ficando maior, e vi que tinha uma forma rectangular, até que fiquei tão próximo dela que pude ver que emanava de um ecrã de computador, no centro do qual estava escrita a palavra ‘Deus’.

 

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