Portrait of 24 Islands
"Portrait of 24 islands", by Sally Linnett, using "Wilke-Steinhof", a track from my latest album, "The Dark Room".
Acerca de 'O Invisível, a sua Sombra e o seu Reflexo'
A maioria dos contos reunidos em O Invisível, a sua Sombra e o seu Reflexo foram recolhidos do blog Android:Apocalypse. Três histórias, Nadja Vaduva, O Sonho Siamês e McPherson, J., foram publicadas pela
primeira vez em 2010, no livro Siamese
Dream, e aqui são reeditadas com alterações significativas.
Nadja Vãduva surgiu-me depois
da leitura de Touching From a Distance, de Deborah Curtis, a viúva do
malogrado poeta mancuniano Ian Curtis, e também da audição obsessiva de All
Mine dos Portishead. A fábrica abandonada pejada de discos de música
clássica é uma recordação de infância.
Giver of Death, Chaos Within, Afterglow e Lovesong são letras de músicas escritas para a banda IMDK, na qual eu desempenho a função de guitarrista; é possível ouvir as demos instrumentais das duas primeiras faixas no meu canal de Youtube.
McPherson, J. é a minha versão literária de The Nurse Who Loved Me, via A Perfect Circle, sendo que a faixa original é dos Failure. One, dos Metallica (baseado em Johnny Got His Gun), e Fábrica de Oficiais, de Hans Hellmut Kirst, são duas das outras influências.
O Quarto Escuro é uma variação do tema do Candidato da Manchúria, isto é, o programa MK-Ultra, através do qual a CIA programava seres humanos para se tornarem assassinos insuspeitos. O caso mais célebre terá sido, alegadamente, o de Mark David Chapman, o homem que assassinou John Lennon.
Jacqueline Hyde era uma história inacabada que não se
deixava escrever, e decidi tornar a sua escrita uma ilustração do meu processo
de trabalho.
O Idólatra é uma espécie de rascunho que daria origem a uma outra história, O Desejo e Outros Demónios, daí as semelhanças entre as duas.
Os poemas agrupados sob o título O Invisível, a Sua Sombra e o Seu Reflexo foram escritos por mim e, tirando um ou dois, saíram em antologias.
O Intruso é uma variação do tema do alter-ego e foi profundamente influenciado por Fight Club, de Chuck Palahniuk.
O Que a Água me Deu foi buscar o nome à faixa de Florence and The Machine, em cuja epígrafe se reproduz parte da letra. Florence Welch inspirou-se no quadro de Frida Kahlo e em Virginia Woolf; esta última, por sua vez, influenciou certos aspectos deste conto. Mas a maior influência será, sem dúvida, a faixa Little Water Song, cantada por Ute Lemper no seu álbum de 2000, Punishing Kiss, sendo que a autoria da letra pertence a Nick Cave.
Saint Paul, Cidade da Indústria
O lançamento de O desejo e outros demónios, bem como a reedição em papel do primeiro volume (O longo caminho de regresso), marca a conclusão da minha Trilogia Cidade da Indústria. Os dois livros, juntamente com O motor do caos e da destruição, formam um conjunto de três tomos com doze histórias cada um, num total de trinta e seis.
Escritas
entre 2010 e 2015, em comum têm o facto de terem como cenário de fundo a
cidade de Saint Paul e de uma ou outra personagem aparecer em mais do
que uma história, em especial o escritor Tony Dornbusch, uma espécie de
guia não-oficial da urbe banhada pelo rio Arion. Embora não fosse essa a
minha intenção inicial, notei que muitas destas histórias eram
permeadas pelo mesmo tipo de personagens, com o mesmo tipo de
preocupações, as mesmas paisagens industriais e pós-industriais, sob o
espectro de um acontecimento cataclísmico designado por Apocalipse
Andróide, podendo considerar-se que, inconscientemente, eu estava a
escrever um romance em mosaicos no qual as peças se iam encaixando sem
que eu tivesse de forçá-las.
Quanto ao O desejo e outros demónios: o título do último livro da Trilogia Cidade da Indústria é uma referência a Del Amor y Otros Demónios,
de Garcia Márquez, sendo que, no meu conto, o que move os personagens é
o desejo mais do que o amor, pelo menos no sentido em que eu o
concebo.
Em Saint Paul, o amor e o desejo andam à solta como animais ferozes em busca de suas presas.
Enquanto
duas mulheres partilham o mesmo destino sem nunca se terem conhecido,
ficando ligadas para sempre na memória colectiva dos habitantes de Saint
Paul, uma aparição leva um escritor a percorrer as ruas da Cidade da Indústria em busca do passado.
Na
mesma cidade, mas num futuro mais ou menos distante, os criminosos são
obrigados a confrontar as famílias das vítimas, num exercício extremo de
justiça restaurativa.
Mas não se preocupem;
nas palavras do escritor Tony Dornbusch, «vão-se deitar, durmam
descansados. Abaixo da superfície não se passa nada, os monstros existem
somente nos pesadelos das crianças».
Mas isso
não significa que o universo de Saint Paul se esgote nestes três
livros: há ainda muito por dizer ou escrever acerca da Cidade da Indústria e dos seus habitantes, passados e futuros, talvez em moldes diferentes daquilo que foi feito até agora.
Da música e da literatura
O meu amor pela música começou cedo, e muito por influência dos meus amigos, a maioria deles mais velhos do que eu. As primeiras bandas que me cativaram foram Pink Floyd, Depeche Mode, U2 e Xutos e Pontapés. Destas, continuo a seguir atentamente os Depeche Mode, que têm sabido manter-se relevantes e actuais, o que não é de estranhar, já que estiveram sempre muito à frente do seu tempo.
O desejo de fazer música e de escrever surgiu com os Alice in Chains, dentre a cena grunge a banda que logo me cativou pela sua música mais pesada e letras que falavam de desespero e abandono. Comecei a tocar guitarra e a escrever letras porque queria imitar os meus ídolos, Layne Staley e Jerry Cantrell. Em paralelo, queria escrever histórias como o Edgar Allan Poe, H.P. Lovecraft, Borges e J.G. Ballard, dando por mim a pensar, por vezes, quando estava a ler, que, se tivesse sido eu a escrever aquela história, o teria feito de maneira distinta.
Mais tarde, uma vez mais por influência de amigos mais velhos e conhecedores, fui exposto à música industrial, o meu género de eleição pelas possibilidades infinitas que oferece. Na música industrial há espaço para tudo: samples, guitarras, teclados, cordas, berbequins, field recordings e found sounds, gritos e sussurros. No princípio dos anos 00, adquiri software para fazer música, e desde então não parei.
Em 2006, fui convidado a participar numa compilação da Thisco Records, juntamente com Tatsumaki e Devhour; na altura, fazia música sob o nome de City of Industry. Continuei a disponibilizar a minha música através do meu blog (Android:Apocalypse), paralelamente à publicação dos meus livros sob a chancela da Coolbooks.
A crescente contaminação da minha música pela minha escrita, e vice-versa, levou a que, mais do que duas linhas, as duas actividades começassem a seguir a mesma; as faixas iam buscar nomes de contos e de personagens, servindo como banda-sonora para uns e para outros, e as minhas histórias iam buscar referências à minha actividade como músico, por exemplo, o Festival City of Industry, referido no conto Kronenburg, que foi buscar o nome ao meu antigo projecto, entretanto abandonado para dar lugar ao nome com que assino os meus livros.
O ano de 2018 marca o princípio da minha associação com a EnoughRecords Netlabel, uma editora não-lucrativa de partilha de música online, presente em inúmeras plataformas, tais como Scene.Org, Internet Archive, Sonic Squirrel, Free Music Archive, Bandcamp, Jamendo, LastFM, etc, com o lançamento dos álbuns City of Industry: Slow Gun e City of Industry: Cruel Devices.
O desejo de fazer música e de escrever surgiu com os Alice in Chains, dentre a cena grunge a banda que logo me cativou pela sua música mais pesada e letras que falavam de desespero e abandono. Comecei a tocar guitarra e a escrever letras porque queria imitar os meus ídolos, Layne Staley e Jerry Cantrell. Em paralelo, queria escrever histórias como o Edgar Allan Poe, H.P. Lovecraft, Borges e J.G. Ballard, dando por mim a pensar, por vezes, quando estava a ler, que, se tivesse sido eu a escrever aquela história, o teria feito de maneira distinta.
Mais tarde, uma vez mais por influência de amigos mais velhos e conhecedores, fui exposto à música industrial, o meu género de eleição pelas possibilidades infinitas que oferece. Na música industrial há espaço para tudo: samples, guitarras, teclados, cordas, berbequins, field recordings e found sounds, gritos e sussurros. No princípio dos anos 00, adquiri software para fazer música, e desde então não parei.
Em 2006, fui convidado a participar numa compilação da Thisco Records, juntamente com Tatsumaki e Devhour; na altura, fazia música sob o nome de City of Industry. Continuei a disponibilizar a minha música através do meu blog (Android:Apocalypse), paralelamente à publicação dos meus livros sob a chancela da Coolbooks.
A crescente contaminação da minha música pela minha escrita, e vice-versa, levou a que, mais do que duas linhas, as duas actividades começassem a seguir a mesma; as faixas iam buscar nomes de contos e de personagens, servindo como banda-sonora para uns e para outros, e as minhas histórias iam buscar referências à minha actividade como músico, por exemplo, o Festival City of Industry, referido no conto Kronenburg, que foi buscar o nome ao meu antigo projecto, entretanto abandonado para dar lugar ao nome com que assino os meus livros.
O ano de 2018 marca o princípio da minha associação com a EnoughRecords Netlabel, uma editora não-lucrativa de partilha de música online, presente em inúmeras plataformas, tais como Scene.Org, Internet Archive, Sonic Squirrel, Free Music Archive, Bandcamp, Jamendo, LastFM, etc, com o lançamento dos álbuns City of Industry: Slow Gun e City of Industry: Cruel Devices.
Depois da Trilogia
Depois
da Trilogia Cidade da Indústria, continua a haver muito para explorar em Saint
Paul.
O
meu próximo lançamento reunirá três histórias
publicadas em 2010 no livro Siamese
Dream, reescritas e integradas no universo Saint Paul, bem como contos,
microcontos, letras de músicas e poemas que fui partilhando no blog Android:Apocalypse.
Outra
das histórias publicadas em 2010 no livro Siamese Dream foi O
Anjo Exterminador. Também esta foi revista, aumentada e reescrita para ser
integrada no universo Saint Paul, e contará com ilustrações de Sérgio Aranha, o
artista barreirense que já assinou a capa dos meus álbuns, City of Industry: Slow Gun e City of Industry: Cruel Devices, ambos lançados em 2018 através da EnoughRecords.
Android:Apocalypse é o working title do meu terceiro livro pós-Trilogia
Cidade da Indústria, e completará aquilo a que chamo a Série Apocalipse Andróide. Será a história que acabará com todas as histórias, no
sentido em que, dificilmente, regressarei a Saint Paul depois dela.
Não direi que nunca mais escreverei sobre a Cidade da Indústria e os seus habitantes, apenas que desejo partir em outras direcções.
Não direi que nunca mais escreverei sobre a Cidade da Indústria e os seus habitantes, apenas que desejo partir em outras direcções.
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