Acerca de 'O Motor do Caos e da Destruição'


    De acordo com o Talmude, a língua do homem é como a abelha: tem mel e tem ferrão. No Livro de Provérbios, 18 versículo 21, Salomão diz que a morte e a vida estão no poder da língua. Foram esses os pontos de partida para escrever A Espada de Deus
  Julian Kronenburg, além do nome que evoca o de David Cronenberg, foi baseado na figura do vocalista dos Alice In Chains, Layne Staley, cujo corpo foi descoberto a 19 de Abril de 2002, apontando-se a data da morte para o dia 5 desse mês. A formação musical de Julian foi muito semelhante à minha. O festival City Of Industry que é referido na história foi buscar o nome ao meu projecto de música electrónica, com o qual cheguei a editar cinco faixas na compilação Seek and Thistroy, da Thisco Records. No alinhamento desse festival, constam nomes de bandas inventadas por mim. 
    Androctonus é baseada num acontecimento real que ouvi narrado por um jornalista. Em Belgrado, os jipes da ONU andavam a ser alvo de ataques de snipers. O FBI foi chamado a investigar e descobriu o autor dos disparos.
    Crimes Futuros é a incursão numa Saint Paul pós-apocalíptica onde a clonagem de seres humanos adquire contornos sinistros. A caça de humanos, ou neste caso, Numanos, foi directamente inspirada pela faixa Down in The Park, dos Tubeway Army, banda que tinha como vocalista Gary Numan. 
    Réplica foi inspirada por várias histórias que versam sobre o tema do doppelgänger, nomeadamente, William Wilson de Edgar Allan Poe e O Duplo de Dostoiévski.
    A Solidão e o Medo das Alturas tem por base algo que aconteceu à irmã de uma amiga minha, um incidente em tudo semelhante ao que envolveu Melissa Baum e Mathias Volker. 
    Blasco passa-se num período anterior ao Apocalipse Andróide, um acontecimento catastrófico que levará a Humanidade perto da extinção. Os Incineradores, máquinas de extermínio e esterilização, são prenúncios do que está por vir. Neste conto, somos apresentados a G.H. Ballantine, uma discreta homenagem ao escritor britânico J. G. Ballard. 
    Escreveu Borges: “Desvario laborioso e empobrecedor é o de compor vastos livros (…) Melhor procedimento é simular que esses livros já existem e oferecer um resumo, um comentário.” O excerto do livro de G.H. Ballantine, que se apresenta em O Motor do Caos e da Destruição, começou por ser um conjunto de, à falta de termo melhor, poemas. Certa passagem de Anarquista Duval, dos Mão Morta, inspirou o título: «Dizem que semeio o caos e a destruição como o vento semeia as papoilas... Meu nome é Liberdade!»
    Commuters foi escrito em várias travessias de barco sobre o Tejo, do Barreiro para Lisboa e de Lisboa para o Barreiro, num tom hiperbólico e caricatural. 
    A Sombra do Viajante, uma alusão pouco subtil a O Viajante e a sua Sombra, de Friedrich Nietzsche, narra a história de Roman Petrescu, um vampiro-escritor, ao som de Bauhaus, Joy Division e Sisters Of Mercy. Miguel Torga queixava-se que os editores eram uns vampiros, preferindo as edições de autor. Neste caso, o editor torna-se presa dos autores.
    Génesis carece de muitas explicações. É a história da escrita de uma história, e nada mais.

ANTÓNIO BIZARRO


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