Work in progress IV

          "(...) Estava a morrer e a assistir ao espectáculo da minha própria morte, actor e espectador num só, o meu cérebro a desligar-se por sectores como se alguém andasse por casa a apagar as luzes de cada divisão antes de sair. Fora envenenado, atropelado ou esmagado por um prédio em colapso, e era agora um fantasma confuso a tentar habituar-se ao mundo espiritual, o choque da transmigração da alma mitigado por uma amnésia selectiva, o término súbito da existência a prolongar-se no tempo de modo a tornar a transição o mais suave possível. Iria perder aos poucos o contacto com a realidade até ser confrontado com a proverbial luz ao fundo do túnel, uma luz talvez semelhante à vislumbrada por todos nós antes de sermos retirados da barriga das nossas mães."

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